Shinsekai Yori: Descobertas

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O trailer sanguinolento contrastante com o Chara Desing de crianças fofas me chamou a atenção para Shinsekai. E quer saber? Teria sido terrível mesmo que não houvesse uma gota de sangue sequer. E gotas de sangue não faltam. Nem a sensação de porrada no estômago no final.

Comecei a assistir Shinsekai achando que seriam só 13 episódios. Quem ainda acompanha o Kotodama sabe que eu só assisto coisas completas, é a minha política. Mas não estava completo, para o meu total desespero. Não sei se sofri mais assim ou se não teria sido pior maratonar, mas vamos lá.

Shin Sekai Yori

Saki é uma garotinha de 12 anos com um grupo de amigos com personalidades e talentos bem diversos. Comum não? Claro. Mas a história se passa em um futuro onde a humanidade agora é constituída por pessoas com poderes psíquicos/telecinéticos e a sociedade se estrutura de uma forma diferente, por conta desse fato. Isso inclui fatos do passado omitidos do ensino, crianças que desaparecem da noite pro dia e seres monstruosos que convivem pacificamente com os humanos, a quem tratam como deuses.

Acompanhamos a vida dela, o tempo todo sendo guiados por sua voz enquanto narradora, e descobrimos o fardo que o destino colocou nas costas de uma garota curiosa e com certa dose de coragem, que junto a seus amigos foi evoluindo e saindo do mundo pré-estabelecido para eles pelos adultos e pela humanidade em geral.

Shinsekai é maravilhoso nesse aspecto de acompanhar as fases da vida do pequeno grupo de cinco jovens, com saltos no tempo entre 12, 14, 26 e 36 anos. Ver a evolução natural, e como foi bem retratada as posturas de cada fase da vida, perspectivas de cada idade, pode até incomodar no começo (tipo quando todo mundo, adolescente, começa a se pegar entre si e eu WTF???), mas no final dá uma substancialidade que reafirma o realismo de um animê que na verdade é “apenas” uma ficção científica, em um mundo “diverso” do nosso, onde coisas “estranhas” acontecem.

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A animação deixa muuuuuuuito a desejar, e cenas de ação/explícitas só não perdem o impacto pois o roteiro se mantém por si só. Aliás, por si só não, por toda a estrutura criada em torno das personalidades de todos que se apresentam, dos protagonistas ao menor secundário. Esses por sinal são tão bem aproveitados que apesar de não haverem exatamente plots twists na história, somos pegos despreparados todo o tempo.

Apesar disso, é um animê lento no começo. Até o episódio 15 eu efetivamente achava tudo muito parado, mesmo a tensão e o mistério eram pesados, não dinâmicos, até então. Mas enfim. As coisas mudam. Se tem uma coisa que a protagonista não cansa de  perceber é isso. Não existe um conceito que se aplique a tudo e por tanto, a deixe segura. Ela não pode contar com nada, seja conhecimento prévio ou auxílio de outra pessoa.

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Saki é uma garota comum, eu acho. Não vi nada de excepcional nela do começo ao fim, além do fato de ela ter sido eleita para o ser. Existe um conceito teórico para isso, chama-se profecia auto-realizadora, onde todos a repetem que ela é especial, que ela tem algo grande nas mãos, e ela acaba segurando responsabilidade atrás de responsabilidade, tendo como único dom o fato de não quebrar, acontecendo o que acontecesse. Não é a toa que ela é a narradora, ela tem planos para o futuro, e pra isso as pessoas precisam saber…

Satoru foi o personagem que eu mais odiei e mais amei, ao mesmo tempo. Acompanhamos sua evolução de pirralho mimado e adolescente possessivo a adulto responsável, e isso é prazeiroso. Não é o que eu chamaria de inteligente, é mais impulsivo, mas isso ajuda a movimentar Saki em impasses cruciais, para o bem ou para o mal.

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Shun é uma garoto fofo e inteligente, extremamente atrativo, tanto que entra num triângulo amoroso complicado na adolescência… Até quando não está presente é importante, pois o sentimento entre ele e Saki também a mobiliza e a faz, principalmente, questionar, o que a leva cada vez mais longe.

Maria… Bem, a achei uma personagem vazia e mesquinha. Teve sua importância mas considero que ela mais abalava a Saki do que realmente a ajudava a construir algo concreto, até o final.

Mamoru… Bem, imagine um bunda mole. Então, é ele. Ele é a pessoa que sempre retinha o grupo, sempre limitava. E embora isso frustre o espectador, adiou o sofrimento de Saki até o ponto limite, então lhe deu tempo para se preparar. Me senti pesarosa de ter reclamado tanto dele quando percebi as proporções do que ele continha.

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Mas vamos lá, momento desabafo absolutamente lotado de SPOILERS, não leia de forma alguma se quiser assistir ainda, quebrará o clima (embora não estrague a obra, de forma alguma).

Os personagens secundários são tão fodas!!!!!!! Kiroumaru, Shisei, Tomiko, eles me faziam subir nas paredes com suas atitudes ou simples linhas de raciocínio! Quando o Shisei foi derrotado senti o desespero dos personagens me dominar também!

Muito ficou inexplicado em Shinsekai, e mesmo que não seja um furo propriamente dito, não faça falta, algumas coisas me intrigaram. Qual é exatamente a função do Falso Minoshiro, por que tinha um vagando na floresta? O que exatamente o Mamoru fez para merecer ser caçado? E a irmã da Saki, o que ela fez? A Saki menciona que a Maria não devia ter nascido na narração de um dos episódios, e embora eu não lembre bem o que foi dito exatamente isso ficou martelando na minha cabeça o animê inteiro, pois é bem divergente dos sentimentos entre elas, até o final.

Eu fiquei feliz da Saki e do Satoru terem ficado juntos e tudo mais… Mas de forma alguma consegui engolir aquele final “feliz”, cuja promessa é que no futuro (não representado) as coisas seriam melhores. Como se com toda aquela repressão fossem deixar a Saki divulgar a origem dos Bakenezumis né. Só estão postergando a mudança, a deixando na mão das novas gerações, criando esperanças… Eu duvido que algo tenha mudado nesse sentido (humanos x “humanos” – e cabe aqui pensar quem merece esse nome entre aspas), em dez ou cem anos.

E outra, o que fizeram com o Squealer, mesmo sendo apenas um desenho, o estado que ele estava quando a Saki o matou… Me deu ânsia. Mesmo porque a história toda é o tipo de coisa que temos certeza que seria passível de acontecer. Eu fiquei triste por todos os humanos mortos, e desde o começo não gostava, não confiava no Squealer. Mas ele tinha razão não tinha? Infelizmente não existe revolução pacífica.

P.s: Lembrei agora que durante o nazismo os alemães classificavam os judeus como raça de ratos, de nezumis, justificando o massacre.

Fim dos SPOILERS.

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Shinsekai Yori é para mim sem dúvida nenhuma, sem parar para pensar nem nenhuma contestação, o melhor animê de 2012. E um dos melhores que já vi. Para assistir, sentar e pensar. Existe forma melhor de fazer as pessoas acessarem aquilo que é inconveniente e incômodo do que através de metáforas e realidades alternativas, distantes da nossa? Acho que não.

Você encontra Shinsekai Yori para Download AQUI.

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Um pensamento sobre “Shinsekai Yori: Descobertas

  1. Uai, jurava que havia lido esse post XD

    A função do Minoshiro é ser uma biblioteca virtual, pelo que entendi fora projetado quando o mundo começou a rumar pra este “novo mundo” como forma de guardar os registros. E futuramente acabaram se tornando um infortúnio para os padrões dessa nova sociedade. Ao que parece, foram exterminados, mas sobraram alguns, então amedrontavam as criança para chegaram muito perto. Será que entendi direito?

    O Mamoru foi caçado porque tinham medo do que ele poderia fazer se saísse de controle. Ei, isso foi explicado, acorda Pan!

    A irmã da Saki? Deixaram subtender que ela se tornaria um infortúnio, o seu destino foi o mesmo que queriam dar para o Mamoru, foi sacrificada porque tinham medo do que ela poderia se tornar. No fim, tinham razão de tomar todas essas precauções, não é? Olha só o que o filho do Mamoru fez com a vila, olha o que o demonio do karma fez em outro período. Ma eu também não consigo tirar o mérito da indignação da Saki com aquilo tudo. É meio complicado, de um lado valores humanos, de outro, fazer o que é certo para um bem maior.

    Aquilo com o Squealer foi chocante, não foi? =X
    O que eu não gostei muito no andamento da história, foi o tratamento dada à Satoru, ele foi relegado durante a história toda, isso me frustrou pra caralho, porque a Saki não dava um foda para o cara, ali deveriam ter explorado melhor a relação dos dois em meio a toda aquela complexidade. Falo de relação de amizade mesmo. Também lá no meio da série, o envolvimento dele com o Shun ficou muito POOOOOOORCO. Nos primeiros episódio Satoru é apaixonado por Saki, há um triângulo amoroso, depois corta, e eu sem entender nada, Satoru está loucamente envolvido com Shun. LOOOL

    Saki com Maria eu entendo, havia uma faísca entre elas desde o inicio da série, então é justificável a paixão unilateral de Maria.

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