Samurai X: Caminhando pelos Novos Tempos

Samurai X… Depois de anos de insistência de ~uma certa pessoa~ tomei coragem. Infelizmente, não deu para assistir dublado, porque não suporto a voz da dubladora da Kaoru, mas vamos lá… Shounen, come back to me (-qq). Cuidado com os famigerados SPOILERS.

Samurai X conta a história de Kenshin Himura, apartir do momento em que sua vida cruza com a de Kaoru Kamiya, uma jovem assistente do Dojo Kamiya Kashin. Kenshin é um andarilho que ajuda as pessoas em seu caminho, em busca de lavar o sangue que manchou suas mãos no passado, quando era conhecido como Battousai, o retalhador. Ele ajudou a estabelecer o governo Meiji matando muitas pessoas, e agora procura um novo caminho nessa nova era sem espaço para samurais onde a ordem antiga é mal vista.

Ao encontrar com Kaoru e a ajudar com um “pequeno” problema, acaba ficando com ela, e a eles se juntam também Yahiko Myoujin, um jovem com problemas na Yakuza que se torna aprendiz de Kaoru e Sanosuke Sagara, que era conhecido como Zanza, lutador de aluguel, até ser derrotado por Kenshin.

Mas esse grupo está longe de ter uma vida tranquila. Além dos “pequenos” problemas que eles acabam se enfiando para salvar os mais fracos, o governo recém estabelecido ainda é frágil e cheio de inimigos, e por confiar na força de Kenshin, a força policial recorre sempre a ele quando os problemas, atentados e conspirações saem do controle.

Samurai X é um animê extremamente agradável de se acompanhar, seus 95 episódios passam muito rápido, a história flui! Embora eu ache a maior parte das cenas de comédia com o Kenshin muito forçadas (não vejo graça no Oro? Mesmo! Prefiro ele sério) e aquela apelação típica dos shounens de supervalorizar o protagonista mesmo que seus parceiros sejam muito bons me irrite, todos os personagens são agradáveis, bem construidos, e mesmo os clichês não são dolorosos. Um exemplo de que dá pra usar mais do mesmo de uma forma divertida, e não irritante.

A animação no começo me fazia chorar, mas apartir do 22 dá uma melhorada significativa, e no 66 melhora de vez e fica linda, aprimora-se a arte inclusive. Estranho, pra quem tá acostumado a ter grandes investimentos no primeiro episódio e ver o negócio degringolar. A trilha sonora é bem WTF até o início da saga do Shishio, aí fica decente, condizente com a época e situações.

Quanto aos personagens, vou comentar os que mais me chamaram a atenção…

Primeiramente, Kenshin, o andarilho. Ele é realmente alguém atencioso, e mesmo quando era um assassino não o era por prazer, e sim por acreditar que aquele era o melhor caminho. Bem humorado, prestativo, forte… Ele é um personagem muito carismático, que nos conquista ainda mais com suas histórias, de uma vida cheia de tragédias que não o impediu de continuar lutando.

Kaoru é uma mocinha um pouco diferente, ela é forte, ela sabe se virar. Me cansa um pouco sua forma de se preocupar com o Kenshin, sempre aflita, mas quer saber? Com aquele jeito “me viro sozinho sempre” dele eu a entendo…

Yahiko foi um dos personagens que mais me surpreendeu, geralmente os personagens infantis só servem pra pentelhar e dar preocupação. Ele decide trilhar um caminho e se dedica a ele, sendo útil na medida que suas limitações físicas permitem. E ele e a Tsubame são a coisa mais fofa EVER.

Sano… Do grupo foi o que mais me cativou. Tem um passado difícil, e isso o fez sair do seu caminho, mas não é orgulhoso a ponto de ignorar os confrontos com a realidade. Ao encontrar com Kenshin redefine as próprias metas, e apesar do jeito estourado que muitas vezes lhe é prejudicial (embora sua resistência física compense) é um aliado útil.

Megumi foi alguém que eu realmente achei que ia morrer. Mas graças a Sano ela encontrou outra forma de viver e se tornou uma personagem interessante, por ser mais forte e madura do que a maioria do Kenshingumi (embora muitas vezes não aparente). Há uma insinuação de que ela gosta do Kenshin, mas acho que ela e o Sano formariam um belo casal, fiquei frustrada deles não terminarem juntos.

Misao é uma personagem boba, bem clichê mesmo, mas não é daquelas difíceis de se aguentar. É tolerável, fora aquele envolvimento com o Aoshi, porque por favor, ela é praticamente filha dele, gente!

Seijuurou Hiko, mestre de Kenshin, é um dos melhores “personagem-mestre” que já vi. Sua relação com Kenshin envolve amizade, respeito e enfrentamento, como só quem já teve um bom professor sabe que funciona. Não dá as costas para Kenshin mesmo que este tenha feito uma escolha diferente da que ele considerava a melhor e é extremamente forte. Muito bom.

Saitou é o típico anti-herói, uma vez que Sano logo perdeu esse papel. Não se incomoda em atropelar quem estiver em seu caminho, nem de se preocupar com Kenshin, desde que ele possa ser usado em seus planos de Aku Soku Zan (eliminar o mal imediatamente). É realmente interessante, embora pudesse ter aparecido mais.

Aoshi é um que deu muito trabalho até se tornar útil. Por mim ele poderia ter mudado de perspectiva pelo sacrifício da Oniwabanshuu, mas não poderiam facilitar a vida do Kenshin assim, né? Mimimi demais pro meu gosto.

Shishio foi o único vilão que deu trabalho (além do Saitou, mas ele não é exatamente um vilão) pro Kenshin. Poderia até ser um personagem interessante se não tivesse matado a própria mulher (tudo bem que ela usava batom verde, mas também não é assim né…), eles eram um bom casal, usá-la daquela forma me revoltou. Teve o fim merecido.

Entre os servidores de Shishio, Soujirou foi o que mais me chamou a atenção. Desde sua primeira aparição me perguntei “será este garoto um psicopata?”. E olha, foi por pouco que não acertei. Com o histórico dele, se não fosse o recurso (bem fantasioso por sinal) da abertura de olhos feita por Kenshin, ele seria alguém indiferente pelo resto da vida. Espero que tenha saguido um bom caminho.

Mais para o final, Schneider foi o único que me chamou a atenção. Uma graça de cavalheirismo e de princípios… Embora tenha nome de cachorro XD

Samurai X acabou muito rápido. Fora a saga de Kyoto (enfrentamento com Shishio) todos os arcos tem geralmente 3 episódios, e entre eles episódios aleatóreos, com a maior cara de filler, só que não. Muito gostoso de acompanhar. Mas o final me frustrou muito. Que raios foi aquela saga do Feng Shui? Até valeu, pelo toque do Jinpu para o Kenshin sobre escolhas ideológicas e pessoais… E aquele último episódio feito no Movie Maker, com 15 minutos só de recordações? Enfim, ~certa pessoa~ me disse que tem mais, um filme e talz, tenho esperanças.

Samurai X vale muito a pena, é um shounen com uma pegada diferente e uma lição de construção e utilização de personagens para os roteiristas de hoje. Pra quem gosta de roteiros com fundo histórico então! Dá pra aprender muita coisa. E se for assistir em japonês, cuidado com a maldição do gozaru.

P.s: Feliz aniversário meu amor, desculpa o atraso… Mas fui te ver dia 31, e o post ficou um pouquinho grande, só consegui terminar agora…

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4 pensamentos sobre “Samurai X: Caminhando pelos Novos Tempos

  1. Olá
    Fico feliz em ver que a nova geração está correndo atrás do prejuízo, motivada pela renovação do mangá no Brasil (estou chutando).
    Concordei com praticamente tudo. Não achei que exagerou em nada, tanto de ruim quanto de bom. Está na medida.
    Soube fazer um texto equilibrado.
    Sei o quão dificil é abranger algo tão grande, mas no início achei um pouco desajeitado a escrita. Talvez por ser algo um pouco informal e direto, mas enfim, ao longo do texto vi capacidade. Então fica a dica… sem ofensas. 😉
    Consigo aguentar a dublagem, acho ótima.
    O dublador do Soujirou (o mesmo que faz o Ash e o Kuririn e o Tao Ren) está em seu melhor tom, com certeza.
    Enfim, não vou me apegar aos detalhes, mas foi a única coisa que discordei mais drasticamente.
    Me surpreendi com a constatação de que o Saito serviu de substituto como “anti-herói” após a conversão total do Sanosuke… extremamente verdade, mas eu nunca tinha reparado. Mas como vilão ele é incrível, a animação da luta de espada mano-a-mano com o Kenshin é a melhor que eu já vi. Pleno 2012 e simplesmente não superaram.

    Não esqueça de assistir os OVAs 😉
    Abraços!
    http://www.elfenliedbrasil.com/search/label/Cr%C3%ADtico%20Nippon

    • Eu nem sou da nova geração… E nem tenho nada a ver com os lançamentos de mangá por aqui, também, não acompanho. Considere isso uma coincidência.

      Eu tenho um blog informal e sem compromisso com a realidade, pra qm está acostumado com a imprensa especializada se choca um pouco, mas logo acostuma.

      Nem cheguei a ver, só vi até o episódio 4 dublado, e meu problema foi com a dubladora da Kaoru msm…

      Já vi os OVAs do passado do Kenshin antes do próprio animê. Agora é correr atrás dos outros…

      Obrigada!

  2. Saudações

    Pandora, tenho para mim que esta série ganha muitos pontos por não se limitar à fazer uma ficção que transcorra de forma paralela aos fatos históricos japoneses reais, mas sim por buscar retratá-los fielmente enquanto seus personagens seguem na aventura proporcionada pela obra.

    Himura Kenshin é um “herói que não aparenta ser um herói”, em meu singelo modo de ver as coisas. Ele possui uma personalidade marcante, que impressiona pelo carisma e pela seriedade em diversos momentos.

    Kaoru é uma personagem que curti muito, principalmente por ela fugir (de forma consciente e acertada) de um estereótipo clichê basicão que reina sobre as mulheres neste gênero de anime. Ela é valente, aguerrida e perseverante. O estilo de ser dela é muito digno de nota.

    Do Sano você disse (escreveste) tudo. Nada para se acrescentar aqui humildemente…

    Por fim, Shishio. Um vilão realmente digno de nota, não apenas para a série em questão como para o universo da animação japonesa como um todo (ao meu ver). Ele dá trabalho para Kenshin, intimida ferozmente com suas palavras e ações e vai em frente com o seu propósito estabelecido.

    Sua análise merece ser comentada muito, Pandora. E Rurouni Kenshin merece ser visto e apreciado (mesmo por pessoas que não sejam fãs de shonen como esta que voz faz este comentário).

    Ótimo texto.

    Até mais!

    • Muito obrigada, Carlirio! Eu aposto que gosto mais de shounen que você, mas é importante re-ressaltar o diferencial dos clichês de gênero em Samurai X…

      Até a próxima!

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