Another: Uma Metáfora

Acabo de sair de uma palestra com a presidente do CRP de São Paulo, sobre patologização no processo ensino-aprendizagem. Vocês podem achar desnecessário, vocês podem achar uma viagem da minha cabeça, uma vez que Another está longe do que eu chamaria de material de qualidade.
Mas esquecendo um pouco que se tratou de um roteiro vazio para pessoas que gostam de sangue voando, convido vocês a uma curtíssima análise do sistema escolar ocidental usando esse animê como analogia.

Vamos lá. O que vocês conhecem como escola? Sempre foi uma experiência reforçadora? Integradora (no sentido de você conviver com seus colegas de forma igualitária)? Foi desistimuldado a ser competitivo? Foi compreendido pela instituição (professores, coordenadores, monitores e diretores) e colegas?

Imagino que algumas, se não todas, das respostas foram negativas. Agora, exemplifiquemos as causas usando Another.

No sistema escolar temos uma valorização do individualismo, a distribuição de estrelinhas e medalhas aos melhores alunos causa animosidade e desestrutura a confiança no grupo desde a primeira infância, lá no período de alfabetização. E isso cresce até o ponto que não conseguimos fazer trabalhos em grupo fora de nossas panelinhas no ensino médio, não sem muito contragosto, má vontade e desconfiança na capacidade alheia (e assim vários alunos fazem sozinhos o trabalho de um grupo, em busca da certeza de um bom resultado que não pode confiar a ajuda de “desconhecidos”). E levando isso ao extremo, em uma excursão em que alguém pode ser o inimigo, todos se dispõe a se matar, tendo apenas a certeza de que “o morto é o outro”, em que outro pode ser o seu melhor amigo.

A questão do “outro” é que sempre tem a pessoa que é O Outro, aquela(s) pessoa(s) que é alvo principal do bullying, que aqueles que não a zoam mal tem coragem de conversar, com medo de se tornar alvo também. E sempre tem essa pessoa, que com o tempo acaba ssendo ignorada até mesmo pelos professores, é alguém que foi elegido como não educável e imerecedor de atenção. Alguém que é a figura que carrega o peso da animosidade humana que é a micro-sociedade escolar, o mártir escolhido para salvar a todos do morto (ou no caso, de suas próprias agressividades e sentimentos ruins).

E por último, o grande culpado de tudo, não só no âmbito social, mas como na visão familiar e até de algumas perspectivas teóricas da Psicologia. O professor. Porque é claro que ele tem de ser capaz de lidar com diferentes demandas de no mínimos 30 alunos (nos melhores casos), no sentido de compreender suas dificuldades do ambiente famíliar, orientar sua formação profissional e de cidadão, lidar com as diferentes formas que cada um tem de aprender, e qualquer falha, foi por sua incapacidade de apoiar e instruir devidamente seus alunos, que permanecem sem base concreta pelo resto da vida. Acreditem, não é de agora que o professor (que além de tudo nos tempos atuais ainda não é associado a uma figura respeitável) é diferenciado entre ser humano (Reiko) e profissional (Mikami). E por mais que ele não faça por mal, a culpa das coisas estarem fora de controle ainda é dele.

E é assim que termino essa breve análise, sem propor medidas e soluções, esse é um blog de Reviews, não de orientação social, e eu nem tenho formação para tal coisa. Só uma constatação entristecida de como tudo tem funcionado.

Anúncios

4 pensamentos sobre “Another: Uma Metáfora

  1. Pandora, essa foi uma interpretação muito interessante. Parabéns por tirar algo bom de Another. Não que ele seja desprezível (~se fosse,eu não teria assistido até o fim).Mas,ele é raso (e tem problemas no roteiro).^^

    • Foi a primeira coisa que pensei enquanto ouvia a palestra…

      Obrigada, ele é realmente um animê para quem gosta de sangue voando sem muito motivo… E o final foi corrido e previsível XP

      Enfim…

  2. Gostei muito de Another. Mesmo com suas falhas o anime me divertiu bastante.
    A situação nas escolas é cada vez mais preocupante.Além da péssimo ensino,estrutura, professores despreparados e sem nenhum amor pela profissão na rede pública a rede particular gira em torno de exatas e vestibular! Filosofia,Sociologia e Artes sem menosprezadas terrivelmente.Gerando alunos sem senso crítico em relação a sociedade,ao ser humano e o mundo,e com criatividade menosprezada.
    A educação é a salvação do país.Para que haja mudanças que beneficiem a todos primeiro temos que aumentar a qualidade da pública para,então,mudarmos o sistema escolar para algo mais aberto,criativo e principalmente menos CHATO.
    Ví um ótimo vídeo sobre isso,Pss :http://www.youtube.com/watch?v=qrXk_U0aORo

    Ótimo Texto! E espero que goste do vídeo!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s