Redline: Aprendendo a Diferenciar Hot Wheels de uma Obra de Arte

Eu sinceramente sou uma pessoa do contra. Não, sério, não é que eu goste, mas o sou em uma frequência assustadora. Aí o Qwerty veio com um papo de um filme pra machinho, e o Dih falou que eu provavelmente não ia curtir uma coisa com um enredo tão incerto quanto de Redline. Pronto. Me deu vontade de ver.

Muita gente falava, bem, mal, classificando para um público restrito… E eu acho isso tão questionável.. Falei para mim mesma: São só 90 minutos, de qualquer forma, e embarquei na corrida.

Redline… É difícil explicar. Começa e termina no meio, mas ainda assim tem começo, meio, fim, desenvolvimento de enredo e dos personagens… Ok, vou tentar explicar. JP, conhecido como O Suave, é um corredor que se recusa a utilizar armas nas corridas e mesmo no cenário futurista alienígena que se passa a história é um rapaz bonito que ainda usa um carro com rodas.

Por uma coincidência, mesmo após ter sido sabotado por seu empresário (?) na corrida da linha amarela, ele é classificado para a linha vermelha pela votação popular, e agora tem que se arriscar numa final em um planeta cujos habitantes são contra a corrida e podem se tornar muito, muito hostis.

A primeira corrida de Redline me lembrou minha infância, assistindo a Corrida Maluca nas manhãs de férias, no SBT. Personagens esquisitos e seus truques malucos para ganhar, e o protagonista explodindo um pouco antes da linha de chegada, como o Dick Vigarista.

Sempre tive que assistir as corridas de fórmula 1 com meu pai, e embora poucas me impressionassem, eu gostava. Assim como os próprios carrinhos de brinquedo, autoramas e carrinhos de controle remoto, então deu pra curtir Redline mesmo nas corridas. Agora, não é essa a questão.

A questão é que um filme de corridas que só tem carros e explosões é um inferno, não dá pra ver. Mas Redline constrói, por cima mas profundamente o suficiente, todo um contexto político para as corridas, com todas as questões diplomáticas e as apostas e trambicagens… Sem contar a relação dos próprios personagens, que embora não sejam profundos em si mesmos, tem uma história pra contar e laços convincentes entre si. E carisma, muito carisma, é claro.

Sem contar que Redline é uma verdadeira obra de arte. O traço detalhado, cada movimento ou cor cuidadosamente planejados para ser impactantes, o trabalho da dublagem, a trilha sonora… É de uma qualidade admirável.

JP é meio desligado demais, tive a impressão que ele estava o tempo todo em uma outra frequência… Sem contar sua infantilidade com relação aos riscos das corridas. Mas ele é calmo, se você pensar no tipo de protagonista que geralmente temos nesses filmes, e gentil com as pessoas, fazendo jus ao nome “Suave”.

Sonoshee… Bem, ela é muito bonita e decidida, mas a voz dela, assim como o fato dela não ter explicado suas motivações até o final, me irritaram um pouco. Ainda assim, ela forma um belo casal com JP.

Frisbee… Bem, não saquei qual é a dele até agora. Se era realmente o dinheiro e ele teve um instante de consideração por JP depois de todos aqueles anos, ou se só se enfiou onde não devia e não conseguiu sair mais. Um personagem interessante, por ser tão misterioso.

O velho me lembrou muito o Kamaji, de A Viagem de Chihiro. Esperto, sabe muito bem o que está acontecendo, porque, e alerta JP. Acabou ajudando quando podia ter atrapalhado muito, no fim das contas.

Redline NÃO É Hot Wheels. Aquela babaquice toda num CG de doer os olhos… Esqueçam. Redline é uma obra de arte, para os que tem paciência e gosto para tal. Mas como filme. Não sei se teria paciência para essa trama em uma série, os últimos 20 minutos do filme com todos aqueles bombardeios, um tranformer peitudo e uma guerra entre monstros-armas-biológicas (que me lembrou muito uma cena do show The Wall, do Roger Waters) me pareceram um tanto tediosos já. Ainda assim, Redline é algo para ser apreciado sem preconceitos.

Você encontra Redline para baixar aqui.

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