Red Garden: Qual Zumbi Está Certo?

Red Garden é um daqueles animês que me chamou atenção pelo traço, ano passado. Apesar de “recente” (2006) tinha um pouco de antigo, um pouco de americano, diferente, com personalidade.
Mas sinceramente não entendi bem a proposta inicial, achei que fosse pancadaria com garotinhas, acabei deixando pra lá. Mas depois de ter assistido Umineko e Another liguei o foda-se para a possível violência do enredo e baixei os 22 episódios (isso me lembra Shiki, bem que podiam ter dois OVAs complementares também né… Sobre a Lise… Tá, viajei).

Red Garden nos conta a história de quatro colegiais que frequentam a mesma escola em Nova Yorque, e embora sejam completamente diferentes, tem uma amiga em comum. A vida dessas meninas muda quando Lise é encontrada morta e elas descobrem que ela foi assassinada… Assim como elas.

Daí por diante se quiserem continuar vivas Kate, Rachel, Rose e Claire tem que matar seres que já foram homens, mas que agora parecem mais uns zumbis loucos com comportamento de lobisomem (correm de quatro e mordem pra valer), sem questionar ordens e completamente as cegas.

Red Garden toca em pontos sensíveis da adolescência, a maior parte do tempo. As dificuldades de manter relacionamentos, tanto com a família quanto aos grupos de “amigos” (cabem aspas aqui pela efemeridade das relações, devido as flutuações da forma de encarar o mundo de seus membros), a delicadeza do que une pessoas diferentes, a idéia de que a morte nunca chegará.

Toco nesse aspecto pois durante todo o animê as garotas são confrontadas com a eminência da morte e simplesmente não conseguem lidar com isso, até o último momento. Quando somos crianças sequer sabemos o que quer dizer morrer. Temos noções vagas como “foi pro céu”, “foi pra longe”, “foi fazer uma viagem especial e você não vai mais ver…”. Na adolescência um pouco desse encanto se quebra, conhecemos a finitude.

Mas simplesmente não existe adolescente que compreenda os riscos da morte, a vida lhes apresenta um aspecto de possibilidades, não de riscos. Não é a toa que vemos muito mais pessoas na faixa dos 16-26 bebendo e dirigindo e se acidentando, indo para o fundo do mar ou para o meio da correnteza de um rio, experimentando drogas inconsequentemente.

A experiência e o tempo são os responsáveis pelo reconhecimento e aproximação natural da morte. E Kate, Rachel, Claire e Rose não tiveram esse tempo. Morreram sem exercer suas potencialidades e por isso lutam, lutam por seus planos e vidas, custe o que custar, seja que vida for.

Outro aspecto que me chamou a atenção foi que apesar de todos os Doral serem amaldiçoados as garotas só enfrentavam homens com as complicações manifestadas. Não sei se isso foi algum tipo de metáfora ou foi apenas para causar mais impacto visual, afinal, eram quatro menininhas contra um cara. Por isso não aprofundarei nesta questão.

A luta entre Dorals e Animus também é um pouco sem sentido. Não sabemos quem é o certo na história, eu tive mais pena do Hervè e sua família (Anna, Mireille e Emílio realmente me conquistaram) do que raiva. E as mulheres da Animus vão se mostrando tão sem saída quanto as próprias protagonistas, é uma história tão antiga que os motivos foram esquecidos. Tudo é muito vago e místico, não há como escolher quem está certo. Todos querem continuar vivos, manter quem amam bem, numa luta sem sentido. Quase a guerra.

Quanto aos personagens… Eles foram tão bem aproveitados que quase fiz um No Divã de Red Garden.

Kate começa como a pobre menina rica e eu pensando: puta que pariu… Mas se saiu, na minha opinião, melhor que todo mundo ali. Ela tinha suas questões “de vida” e procurou sempre lidar com sua nova situação sem chegar ao limite, e nunca cobrou mais das outras. Tudo no seu tempo certo. E mesmo quando se torna “obcecada” não perde totalmente o controle. É uma questão de família, afinal, não esperaria outra reação dela. Algo como “comigo até vai, mas não põe quem em amo no meio”. Detalhe pra minha cara de “Now, kiss” na despedida dela com a Paula XD

Claire, ao contrário de Kate, é a menina largada na vida. Abandonou a família, não para num emprego e paga de auto-suficiente. Meu principal problema com a Claire foi o quanto ela se força a reagir com naturalidade. Tinha vontade de dar um tapa na cara dela e falar “pode se desesperar menina!”. Fingir que não tem medo pode ser pior. No mais, o de sempre de personagens badass. Curto.

Rachel é o tipo de garota que eu não gosto nem na vida real. Instável demais, demais, e não atribuo a situação. A cena dela com os objetos vermelhos de seu quarto foi uma das melhores do animê, mas ela dando showzinho com as meninas do grupo porque uma a invejava e queria roubar o namorado dela… Foi duro. No geral, uma adolescente comum. Só estou sendo chata. (Queria que ela tivesse dito para o Luke que também o amava embora não pudessem ficar juntos, ele fez burrada mas também se esforçou bastante…)

Rose é… Mole. Chorona, frágil, menininha fofa jogada no mundo que tem que cuidar dos irmãos e da mãe doente, nunca faz nada certo. UM. PORRE.

Lula é bem sinistra no começo, aquelas sobracelhas arqueadas, nariz adunco e aqueles papos malvados sobre sobrevivência. Mas é bem legal quando descobrimos o verdadeiro lugar dela e some aquela raivinha do começo. Como disse a Kate, dá pra desculpar. Agora, gostar…

Hervè… Bem, eu o considerei insano desde o começo, e depois da cena do seu passado tudo fica mais claro. Difícil ser normal quando se vê a mãe morrer e voltar animalesca, né? E saber que todos da sua família terão o mesmo fim… Não esperava mais nada dele além de surto. Ruim mesmo não é ele, é aquele avô pedófilo fdp… Teve um final terrível, mas previsível.

Red Garden é bem lentinho, muita coisa fica inexplicada no final (como porque raios elas foram mortas), tem umas partes meio musical que brocham demais, mas vale muito a pena. O traço é bem diferente, há as questões que mencionei, além de ser tudo muito sensível, mostrando sobre as protagonistas na medida certa para não virar slice of life e ainda nos apegarmos a elas. Red Garden emociona, você sente raiva, medo e tristeza na mesma medida que as protagonistas, e eu acho isso genial.

P.s: Destaque para os desenhos do anúncio de intervalo, lindos, maravilhosos!

Você encontra Red Garden para baixar aqui.

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4 pensamentos sobre “Red Garden: Qual Zumbi Está Certo?

  1. Adorei os pontos que você levantou e me senti em uma conversa XDDD

    Faz muito tempo que eu assisti, mas com exceção de pequenas coisas, o saldo foi bastante positivo. Red Garden tem uma áurea bem nostálgica, reflete bem os tempos áureos do estúdio GONZO, antes de declarar falência. O traço meio americanizado se justifica pela história se passar nos EUA e nossa, em uma nova York meio amarelada (acho…), pré anos 2000. Eu gosto bastante desse clima que serve de pano de fundo pras histórias. O drama da Rose foi o que mais me comoveu, porque ela tinha alguém dependendo dela. Ela que ainda era uma criança, tendo que cuidar de outra. A Kate era lésbica, né? Ela não me engana nem um pouco. Eu adorei a Clare, por ser justamente o tipo de personagem que mais gosto.Esse estilo “porra louca” é demais e não fica com aqueles mimimis huehuehueuheehueuhe. E a Rachel, foi uma personagem bem bacana. Seu charme como personagem, está em ser daquele jeito, e acabei me identificando com o lado impulsivo dela. Só não curti aquele draminha de não estar “viva” mais e se isolar de todo mundo. Apesar que é compreensível.

    As músicas eram mesmo chatenhas e parecia algo completamente deslocado >____<

    E te um OVA, ficou sabendo? Como me disseram que era ruim e não tem nada a ver com a história do anime, nem procurei assistir….

  2. Aliás, você gosta de animes assim, né? Vou deixar umas opções abaixo, que se você ainda não tiver assistido algum, saiba que acho a sua cara (e não precisa aceitar o comentário, se não quiser):

    Phantom Requiem for the Phantom
    Mnemosyne: Mnemosyne no Musume-tachi
    Ga-Rei: Zero
    e fugindo um pouco do estilo GAROTAS GOSTOSAS E PERIGOSAS COM TENDÊNCIAS LÉSBICAS…

    para algo mais estiloso e clássico, como Vampire Hunter D. Há duas versões (com histórias diferentes), o mais antiguinho é bem clássico, eu gosto mas Vampire Hunter D: Bloodlust (2000) tem mais a sua cara, por ser mais dinâmico. De qualquer forma, acho personagem D sensacional, pena que muito misterioso. Enfim, Mnemosyne tem uma trilha sonora DO CARALHO, muita ação (e gore, mas acho que você não se importa) e uma história interessante, apesar que o desfecho não me satisfazer. Phantom é do seu querido Gen Urobuchi, masa acho que esse você já viu. Curtiu aquele final? Achei meio broxante =_=’ Ga-Rei é um thriller alucinante, uma montagem muito bem feita que costura o roteiro com os fragmentos da história que vão se juntando aos poucos. Acho esse bem superior a todos que comentei aqui e é do mesmo diretor de Fate/Zero que com certeza você irá assistir, NÉÉÉ?

    Enfim, acabei lembrando desses animes enquanto lia o post. Ao contrário de Black Lagoon, que é a mais pura e deliciosa ação desenfreada e ilógica, esses ai tem um certo drama mais palpável e que está sempre em destaque.

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