School Days: No Divã

Sim. Eu assisti School Days. Era curtinho, 12 episódios, nenhum drama. Mas cara, não dá para analizar aquilo, fazer um Review. O roteiro é puro mais do mesmo, é algo tão banal no gênero harém que a presença de um certo “drama” (por sinal, forçadérrimo!) não o faz mais digno de análise.

Temos peitos, bundas, meninas apaixonadas e um protagonista frouxo cuja quantidade de feromônios produzida não faz sentido nenhum.

Aí vocês se perguntam: Se isso é tudo que você pode dizer da série, se você acha que ela não tem roteiro digno de resenha, porque está fazendo um artigo?

Por mais que Shool Days seja apenas um animê “cria” de uma Visual Novel (no qual os roteiristas optaram por um dos bad endings como final, não sei se para tentar trollar ou se porque realmente acharam que aquilo seria uma revolução criativa no gênero) ainda tem uma estrutura de personalidade e contexto em seus protagonistas que é interessante de se analisar.

Prometo que serie breve, mas é que quero exemplificar como profundidade é tudo que você não encontra em SD, quanto mais nexo naquele final.

(Esse é um artigo para quem já assistiu School Days, feito de referênciais e spoilers, então já sabem.)

Começando por Makoto: Pela primeira vez um protagonista de Harém plausível! Desculpa, mundo, mas aqueles protagonistas completamente bobocas, que não percebem as intenções das meninas, são semi-tarados mas cheios de boas intenções… Não. Não dá pra engolir. Por mais filho da puta que o Makoto possa parecer, ele é explicado em um simples e única palavra: Egoísta. Ele é só um adolescente, de gênero masculino, cheio de hormônios e louco para experimentar o que a vida tem de melhor para lhe apresentar. Ele não quer o trabalho e a responsabilidade de um compromisso sério com a Kotonoha, deixa isso claro desde o início, quando comenta que gostaria apenas de observá-la a distância. Quando estar com ela começa a lhe exigir paciência e maturidade, ele a abandona pela opção mais fácil: Sekai.

A menina está louca para “ensiná-lo”, enquanto Kotonoha é cheia dos não me toques, a escolha é óbvia. Mas Makoto é humano também, e não tem coragem de dar um fora na menina agora que ela se apegou a ele. Então simplesmente se faz de desentendido.

É algo completamente plausível e possível de se encontrar na RL, a única coisa que fica meio absurda é a reação totalmente indiferente dele ao saber da gravidez de Sekai. E meninas, se encontrarem um Makoto em suas vidas, não hajam como a Kotonoha e abram excessões/insistam na relação. Acreditem, por mais apaixonadas que estejam, encontrarão coisa melhor. Ou esperem alguns anos e tentem de novo, porque com sorte ele vai ter amadurecido.

Por falar em amadurecimento, aquela decisão repentina de voltar para a Kotonoha nos últimos episódios, tendo em vista que ele não entrou realmente em crise após a notícia da Sekai e sua atitude até então, soou como um amadurecimento forçado, uma tentativa de o “re-humanizar” (só nos olhos do espectador açucarado, porque para mim tava normal desde o começo) que é bem FAIL se você pensar que isso só aconteceu porque nenhuma das outras meninas atendiam seus telefonemas… Só para causar uma impressão mais forte em quem estava assistindo, e não aquela sensação de “ah, mas ele merecia” que tiraria grande parte do impacto do sangue jorrando.

Falando em sangue jorrando, Sekai: Meu, essa menina já começou toda errada. Ela tem a forte tendência de transferir os sentimentos dela para os outros, coisa que só percebemos quando Setsuna conta sua história. Usou o amor platônico da amiga como espelho, e acabou se interessando pelo Makoto sem nenhum motivo plausível.

Mas normal, ela também é uma adolescente cheia de hormônios. Quem não se lembra de uma paixonite inexplicável por uma pessoa com a qual você mal falava? O problema é como ela conduz essa questão. Até tentar juntar Makoto e Kotonoha, eu entendo. Mas apartir daí ficar dando lições e tirando casquinha, até dar no que deu… Para, né? Sekai não é a vilã da história, mas em certo ponto também é parecida com Makoto: Só pensa em si mesma, quer a aprovação social, precisa de atenção, mas no círculo privativo quer poder manter o objeto de desejo de todas só para ela.

A forma pela qual ela “fica amiga” da Kotonoha e depois volta a não conversar com ela deixa bem explícito a futilidade na construção da personagem, que fica choramingando e tentando conquistar a atenção de Makoto (o que é meio ridículo, pois se ele fez o que fez com a namorada, o que lhe garantia que não faria com ela?) até o ápice de sua crise.

Esse ápice, por sinal, é meio tipo: Mas hein? Porque tudo bem, ela tentou ser a namorada dele, se esforçou para isso não somente com seu corpo, empenhou seu tempo e dedicação, engravidou e queria ter esse filho. Ela tem os maiores motivos do mundo para ter um mind break, ainda mais depois de ser trocada e aguentar do novo casal a sugestão de um aborto.

Mas mesmo isso não justifica a surtada que ela deu. Não foi uma discussão acalorada com resultados desastrosos, foi um assassinato “planejado” e executado sem qualquer medida ou questionamento das consequências – para em seguida “cair a ficha”. Foi desconexo. Mais desconexo que isso só ir ao ponto de encontro marcado pelo cara que você acabou de matar.

Aí chegamos na que ficou com fama de louca varrida assassina cruel do cutelo, Kotonoha. Meu, essa menina era um pé no saco, desde o começo. Uma personalidade semi yamato nadeshiko, um complexo porque era assediada no fundamental, poucos amigos, uma irmã pirralha… CHATA!

Eu não tenho nada contra ela querer ir devargar no “desenvolvimento” do seu namoro (eu sou a última pessoa no mundo que pode falar disso), mas poxa! Ela não se esforça! É uma mosca morta total! Ela não luta para manter o relacionamento, faz que não vê a distância entre eles aumentar, não reclama de nada.

Quando me disseram que ela sofria bullying, achei que ia ser uma daquelas situações ferradas do chamado “ijime”, abuso, o bullying bonito que algumas obras como Vitamin denunciam ser praticado no Japão. Mas não, as meninas só enchiam um pouco o saco e a sobrecarregavam de trabalho. Nada que um: “Eu não vou fazer isso porque vocês também fazem parte do comitê escolar e também tem responsabilidades” não resolvesse.

Se para Sekai e Makoto a palavra é egoísmo, para Kotonoha é omissão.

E a menina era naturalmente desequilibrada, com o choque de um corpo morto no meio da sala, não me admira que tenha acabado daquele jeito. Só acho importante lembrar que ela não o matou, só endoidou de vez – o que não fica muito claro nos fanarts e comentários por aí.

Só quero fazer um memorando a única personagem que menos se distorceu do possível em School Days. Otome Katou. A amiga de infância (?) de Makoto. Porque fora o fato dela ter transado com ele pra se declarar, não há nada pouco plausível em sua constituição. Ela tem um grupo de amigas (nem vou comentar o fato delas terem feito um menage com ele, ok?) com as quais comenta sua afeição pelo amigo, e elas começam a sabotar Kotonoha numa clara desaprovação as escolhas da menina e, principalmente, ao fato dela estar com o desejado de sua líder. Absolutamente normal, ainda mais porque elas não batem nem ameaçam, só provocam e atrapalham. Quem nunca viu isso na escola?

Além disso, sua atitude ao saber o que houve com Sekai. Ela vai tirar satisfações, e ao perceber que ele realmente se eximiu de qualquer responsabilidade quanto aos acontecimentos, o reprova e recusa. Há uma quebra de confiança, e ela abandona os sentimentos, como se vê na cena em que ela joga fora sua foto com Makoto no ginásio. Uma atitude sensata.

Conclusão: Por mais que haja um exageramento das situações, uma forçada de barra legal em alguns aspectos, School Days ainda se mostra menos novelesco que KimiNozo, por exemplo. Mas não há NADA de genial nessa porra, NADA de inteligente. Se você gosta do gênero, ou se surpreendeu com o final, achou bem sacado, beleza, tá no seu direito. Só não diga que é exepcional, porque não é.

Conclusão²: Isso porque não deu tempo de fazer os exames de doenças venéreas…

P.s: Putz, isso acabou ficando gigantesco, tem mais caracteres que alguns reviews até…. SAD. O que vocês acham, devo, além dos Reviews, inaugurar uma sessão No Divã e só analisar os personagens de alguns animês?

IMPORTANTE: Gente, apesar de eu ter posto “No Divã” e fazer Psicologia, isso aqui não tem nada de científico/comprometido com a realidade. São apenas reflexões minhas a respeito da construção dos personagens.

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8 pensamentos sobre “School Days: No Divã

  1. Saudações

    Gostei desta review, mas o texto deixou no ar a ideia de que School Days não vale a pena…
    Posso até estar errado, mas foi o que entendi…

    No mais, conseguiste definir os personagens do anime de uma forma na qual não consegui me ater. Achei muito legal e fascinante. Por si, School days não dá mesmo muita chance para erros ou enganos pois, com o enredo raso que o anime tem, até mesmo a escolha do bad-ending acaba encaixando-se harmoniosamente com a proposta do anime.

    Eu sou um dos poucos fãs de animes que realmente gostou de School Days. Mas como você frisou, não acho o anime nem um pouco excepcional, pelo contrário: ele tem as suas falhas, que não são poucas.

    Ótima review.

    Até mais!

    • Não foi bem um review, né, mas tá valendo. A intenção não era aprovar ou desaprovar o animê, o pouco que falei sobre o roteiro é sobre sua limitação de gênero, eu realmente só recomendaria para o fandom.

      Como o roteiro não prestava (na minha opinião, claro) tive que me apegar a alguma coisa, e fiz a escolha certa ao apostar nos personagens.

      Sim, gosto é gosto. Eu não curti, mas não é como se fosse intolerável. Quanto a poucas pessoas terem gostado, me surpreende… Deve ser pq tem poucas lolis ¬¬’

      Obrigada, volte sempre!

  2. Olha só, alguém que não pensa que School Days é o pior anime do mundo. Está muito, muito longe de ser bom, mas também não é o monstro que dizem.

    Sobre o artigo, acho achando meio sem sentido pelo simples fato destes personagens serem construções toscas que querendo ou não são analisadas em excesso. Inclusive por ti. 😛

    E SPOILER,

    a gravidez da Sekai é algo bem discutível. A própria Kotonoha quando abre seu útero diz que não há nada lá dentro; fora o Makoto ser morto depois de pedir o aborto – será que esta não estava é mentindo para tentar prender o amado?

    • Porque não é, oras… Com tanto Haibane Henmei por aí o pessoal vem criticar School Days?

      Eu os achei menos contruções toscas do que o comum no gênero, eles são um pouco mais realistas que o pessoal de Tenchi Muyo, Nyan Koi ou o próprio Kimi ga Nozomu Eien, vamos combinar. E no fim das contas não é para ser útil, é para eu ter prazer em escrever, então não tem q tem sentido XDD

      Amig, até 3º mês de gravidez, mal tem um carocinho de carne lá dentro, vc acha msm q ela iria saber diferenciar qualquer coisa depois daquela cirurgia delicada? E não teria pq a Sekai fazer isso, ela mais que ninguém conhecia o Makoto e sabia que qualquer responsabilidade não o “seguraria”.

      Issaê, brigada por comentar *.*

  3. Eu acho bacana isso de fazer um especie de divã pra personagens e analisar de uma forma diferente com que faz nas reviews. Gostei. Só acho que o School Days é um péssimo exemplo, pois os personagens são arquétipos mal desenvolvidos e extremamente rasos (e toscos).

    A questão moral em School Days é ÓTIMA, EXCELENTE. A concepção dos personagens, o plot, o pov. Pow, tinha tudo pra ser algo muito bom, afinal, temos um protagonista como o Makoto, que no papel é muito interessante. Temos a Kotonoha e a Sekai, que são pontos destoantes. Eu acho que é algo que foge um pouco dos clichês que vemos em vários haréns por ai. E ainda por cima, não é tão novelesco como KimiGa (é mais fácil ver questões assim em “folhetins”). Você tá coberta de razão, esses protagonistas cheio das boas intenções e com um pé no pervertismo com “fêmeas” loucas pra dar pra ele é um saco, já que ficam sempre no meio termo.

    Só que é pessimamente dirigido, executado e desenvolvido. No fim das contas, é só mais um clichezão (que pode não ser a pior coisa do mundo – a pior coisa do mundo é um anime chamado Mars of Destruction – mas tá longe de ser algo mediano como afirmam) que só não caiu na vala do esquecimento pela questão moral. Afinal, o povo adora uma polêmica e é a polêmica que sustenta esse espetaculo ruim, chamado School Days (foi difícil chegar ao último episódio disso. Minha raiva não é pela debate moral, mas porque é ruim mesmo).

    Questão moral que também dá sobrevida a KimiGa. Mas, IMO, por mais novelesco que seja (e nem acho isso ponto de crítica, pelo contrário, ele executa medianamente bem a proposta que lhe é destinada: Ser novelesco e over dramático) os arquétipos centrais ali, são desenvolvidos de uma forma mais satisfatória.

    P.S.: Destaque para o dom de sedução do Makoto, que seduz qualquer uma com apenas “eto….eto….eto” *coça a cabeça* e sorri sem graça = Depois disso, todas querem dar loucamente pra ele. Um protagonista frouxo (foi desenvolvido assim durante a execução). Para mim, na pratica, não tem nada que o difere dos outros. A diferença é que aqui, todos vão as vias de fato e nos outros harém, fica apenas na imaginação e sugestão (isso nos animes, já que nos “games” realmente rola de tudo e mais um pouco, rs). Enfim, isso é bizarro, rs.

  4. eu nao entendo isso. Tem muita porcaria por aí e todo mundo enche schooldays de porrada, alguns duzendo que é lixo e o escambau. Schooldays pega os cliches tipicos de series harem/romance e os encaminha pra uma desconstruçao: e se num mundo tipico desse genero, as coisas encaminhassem pra uma catastrofe ao inves do manjado e constante final feliz? é exatamente o que fez Madoka com o genero mahou shoujo.
    claro, o pessoal nao gostou, makoto descobriu seus poderes ricardao e pegou todas até o yuuki traveco de cross days ele nao dispensou! Sekai tentou manipular a relaçao e consertar seus erros e nao conseguiu no final, e kotonoha, bem, ela sempre foi instavel desde o começo e sonhava encontrar o principe de cavalo branco em um mundo de ilusoes. O problema é que passar todos os detalhes do game que tem uns vinte finais( fora o spin off que complementa a estoria o crossdays) em 12 episodios é impossivel né?
    Teve furos no enredo, teve, mas ainda assim essa serie ousou ser diferente e teve até seu ultimo episodio censurado!
    viva MANkoto e sekai a manipuladora, melhores viloes do genero huahauha

  5. Durante o desenvolvimento da série os personagens (em sua superficialidade) insistiram em decair, diferente do amadurecimento que geralmente ocorre em outras obras. Esse decrescimento sinalisava o bad ending que, mesmo sendo exagerado, acompanhou o fluxo negativo. Apesar de ser uma série fraca School Days tem o mérito de ter “sacudido” o genero romance escolar. A prova disso é que ainda discutimos, mesmo depois de 5 anos (o anime é de 2007 se não me engano).

  6. Não existe animes romanticos que nao tenham personagens superficiais. Todos usam os mesmos cliches de sempre. Schoolsdays nao veio pra trazer nada inedito, veio pra desconstruir o genero e mostrar o outro lado como uma tragedia ao inves de mais um final feliz como todo mundo vive querendo. Daí xiarem tanto com ele…

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