Youjohan Shinwa Taikei: Eu, os Outros e o Desejo

Traço é uma coisa que quem acompanha o Kotodama sabe que me incomoda. Geralmente é tão padronizado! No começo é legal passar o tempo encontrando os pequenhos detalhes que são específicos do traço do autor… Mas cansa.

Aí eu passei para os radicalismos artísticos, Shiki, Sayonará Zetsubou Sensei, Gankutsou, Katanagatari, Youjohan Shinwa Taikei… E todos se mostraram achados e tanto (pelo roteiro, inclusive).

E é do mais seletivo deles que vou falar aqui hoje.

Youjohan Shinwa Taikei, ou Tatami Galaxy, como eu fiquei sabendo pelo Qwerty que também é conhecido, conta a história de Watashi (vulgo Eu, e não eu Pss, mas a tradução literal é essa mesma), e suas aventuras a procura da vida brilhante no campus cor-de-rosa.

Explicando, antes que você fique WTF demais: Watashi nos conta episódio por episódio suas tentativas frustradas de transformar sua vida em algo ideal, agora que está entrando na faculdade. O problema é que sempre ele se envolve em alguma espécie de confusão, não só por sua natureza azarada, mas também por em todas as tentativas ele acabar se envolvendo com um homem chamado Ozu, que leva seus planos (e consequentemente sua vida) a ruína.

Toda vez que dá tudo errado ele lamenta sua escolha e volta ao ponto inicial, até decidir… Enfim, assistindo vocês entenderão a genialidade da proposta.

Mas YST tem um grande defeito. Ele não é para qualquer tipo de espectador. Tem diálogos absurdamente rápidos, quilos de legendas (que até você pegar o ritmo te deixarão desnorteado), situações repetitivas… Enfim, exige paciência, disponibilidade e vontade para se chegar ao final.

Não que tenha um roteiro difícil de compreender (como Serial Experiments Lain, por exemplo, que tem quase o mesmo número de episódios e é igualmente “demorado”), mas não tem uma execução fácil de agradar.

Se você estiver um pouco em dúvida agora, sugiro que assista a abertura. Além de ter uma música legal, expressa perfeitamente, na minha opinião, o “espírito” do animê. Estranhamente rápido, em um ritmo normal.

Como já mencionei no início do post, YST tem uma arte bem fora dos padrões, eu tenho a impressão que não só ela como a animação são bem “artesanais”, “caseiras”, sei lá. É agradável para quem não aguenta mais ver olhos grandes e cabelos espetados.Watashi enfia tanto os pés pelas mãos na tentativa de ter sua vida perfeita que é impossível não se identificar com ele. É quase bem intencionado, se não fosse tão auto-centrado. Ele simplesmente não percebe como as coisas podem ser melhores do que perfeitas.

E esse “melhor do que perfeito” bate na porta dele toda vez na forma de Ozu, o homem com cara de demônio, que no fim das contas também está buscando seu campus cor-de-rosa. A impressão que eu tenho é que poderiamos ter um Youjohan Shinwa Taikei só com a história de Ozu, por exemplo.

Os personagens que circundam o mundo de Watashi, com os quais ele cruza, escolha sim, escolha não, e as conclusões que vai se tendo sobre eles no decorrer desses encontros, são muito interessantes, embora eu esteja tentando processar algumas relações até agora.

Tatami Galaxy é um animê absurdamente simples e curto, 11 episódios de puro entretenimento… Que faz pensar. E esse fazer pensar, para compulsivos desse vício como eu, pode tanto te mergulhar na história, como te fazer mandar tudo às favas. É um animê para poucos, mas não custa arriscar os três primeiros episódios. Não desceu? Desista. Curtiu? Vá em frente. Tá em dúvida? Acredite: O final valhe a pena, continue!

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7 pensamentos sobre “Youjohan Shinwa Taikei: Eu, os Outros e o Desejo

  1. Ohayo, Pandora-senpai!!! Eu vi esse anime sendo “divulgado” lá no Subete Animes na época do seu lançamento. O que me chamou a atenção nele, foi justamente o traço, tão diferente da média de animes que estou acostumada a acompanhar. A bem da verdade, o CD atual dos animes são muito parecidos e sequem a mesma estética. Enfim, eu desisti porque ao ler o post lá Subete, frisavam bem em como a legenda piscava na tela e os diálogos eram rápidos. Eu pensei comigo: “Puta merda, não vou conseguir acompanhar isso”. Mas atualmente, eu consigo acompanhar tranquilamente, acho que vou baixar e assistir, já que seu post me deixou foi mais ainda curiosa. Você falou e ao mesmo tempo não falou do anime. Muito sacana, você. ;D

    • É uma questão de costume, mesmo eu que as vexes assisto filmes no 2x demorei um pouco pra acompanhar, mas depois de três capítulos vc acustuma.

      É claro, não queria dar spoiler sobre esse :/ E é uma história básica demais, o final que torna tudo genial, aí eu não posso falar, né?

  2. Youjohan não tem falhas.
    NENHUMA FALHA! É UM ANIME PERFEITO.

    O único problema dele são os outros, os espectadores fracos.
    Ele é meio artístico, então não tem isso de execução complicada, difícil, não é para todos. Tudo bem, não é para todos, mas não por culpa dele. Ele tem que ser daquele jeitinho mesmo. Aquela narrativa dele é essencial para entender do que se trata afinal.
    O final é uma grande epifania, sublime.

    • Eu gostei muito, mas nesse mundo não existe nada sem falhas.

      E a falha de Youjohan é a falta de acessibilidade. Teria como ser acessível a todos os públicos, mas eles optaram por não. Eu adorei a narrativa, o tom artístico, mas ele torna os espectadores fracos, não tem jeito.

      Ótimo, de qualquer forma…

      • Se optou por não ser acessível, então como isso é uma falha? Falha é quando fracassa em tentar fazer o prometido, realizar a ideia e não foi o que aconteceu ali.
        A série tinha essa proposta/ideia de retratar vários ciclos do personagem e sua insistência no erro e foi isso que fez. Ao mesmo tempo vimos vários ângulos dos mesmos personagens até que no final o próprio protagonista olhou para a série como nós espectadores, vendo toda aquela repetição, todo os erros e percebeu que o problema era ele e qual era o problema dele, corrigindo o erro.

        Se tem gente que não tem paciência para assistir, azar, mas falha da série não é.
        Me recuso a aceitar isso.

  3. Tai um animu que entrou na minha lista assim que lançou (lembro que em alguns lugares tinha o hype de Mawaru :O), mas NUNCA tive coragem pra pegar pra assistir XDD Achava hipster demais pra mim, hahaha (principalmente pelos comentários do Cuerti sobre)
    Mas no fim não acho que seja lá um bicho de sete cabeças, então talvez dê uma chance xD

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