Ghost Hunt: Fórmula que Prende em um Animê nem Tão de Terror Assim.

Esbarrei em Ghost Hunt baixando Ghost Hound (até hoje confundo os nomes), e nem dei bola, por conta da temática. Mas o ELBrasil disse que esra bom, e final de férias, não queria morrer de tédio. Baixei e simplesmente me apaixonei, marotonando como nunca (25 episódios em dois dias com gosto!).

Ghost Hunt conta a história de Mai, uma menina absolutamente normal que gosta de contar histórias de terror com suas amigas. Numa dessas, acaba descobrindo um mistério sobre a antiga sede de sua escola. Ao entrar no prédio antigo por curiosidade, acaba se acidentando, sendo salva por um misterioso homem que se machuca por conta disso.

Esse homem era Lin, o assistente de um detetive de casos sobrenaturais, Shibuya Kazuya (esse nome é tão ridículo que me faz rir), que está investigando o local. Ele exige que Mai substitua Lin como sua ajudante, e ela assim o faz. Para solucionar o caso eles também tem a ajuda de um monge, uma sacerdotisa, um padre e uma médium. Terminado tudo, Kazuya a contrata em um trabalho de meio período no Instituto de Pesquisa Psíquica Shibuya, e daí em diante acompanhamos os casos que chegam para o grupo.

Ghost Hunt tem uma “fórmula” daquelas bem simples e comerciais. Personagens carismáticos, embora nada inovadores, histórias curtas e episódicas, clima de romance e comédia, e quase nada do terror prometido. Sério, o único caso que realmente te deixa tenso (ou com medo, depende no seu “nível”) é o da casa-labirinto.

É absurdamente divertido de se ver, a trilha sonora é simplesmente maravilhosa, pela variedade de tons e estilos que nos apresenta, e mesmo previsível, dá para gostar bastante, é descontraído o suficiente para não sobrecarregar cérebros cansados, mas também não é tão vazio de conteúdo que te irrite/faça seu cérebro derreter (cofcofsliceoflifedemenininhas).

Outra coisa que eu acho louvável desse animê é o respeito e cuidado que a autora teve com as religiões abordadas. Ela não esculhambou nada, explicando claramente cada abordagem e seus procedimentos, além de dar espaço para explicações científicas e pseudo-científicas (o Mu que me perdoe, mas para mim justificar telecinese é pseudo-cientificismo). Não temos aquele horror exagerado que encontramos quando padres católicos e seus procedimentos são representados em animês, nem uma explicação a lá Scooby Doo em cada episódio só porque temos um cético. Nem os rituais de religiões menores são tratados como coisas malignas, os diálogos deixam bem claro que magia pode ser usada tanto para o bem quanto para o mau, quem decide é quem a executa.

Esse tratamento interessado que temos na temática (além da comédia ótima, é claro) foi o que me apaixonou por Ghost Hunt. Outro animê que aborda a temática religiosa é o ótimo Mouryou no Hako – mas este último é denso demais, cético demais e surreal demais, não é para qualquer um. Como uma profunda e eternamente apaixonada por mitologia (sim, religião é mitologia), esses pequenos detalhamentos foram essências para diferenciar Ghost Hunt de uma outra obra shoujo formulada pseudo-misteriosa qualquer (como o fraquíssimo Shinrei Tantei Yakumo).

Um ponto realmente ruim do animê é a arte pobre e extremamente mal executada e animada. Uma pena.

Quanto aos personagens, temos Mai, uma menina inicialmente sem grandes diferenciais, que servia como narradora da história e foco de comédia (Oginome Ringo feelings – inclusive a aparência). Infelizmente a tornam uma daquelas personagens compreensivas que tentam ser auto-suficientes em vão (argh, Shoujo, por que?!), mas não é o suficiente para estragar o clima.

Kazuya é absolutamente insuportável. Sua personalidade auto-suficiente e arrogante, e seu chara desing me lembram algum personagem, o Kamui talvez, não consigo lembrar. Ele é chato. Mas seu apelido faz jus a realidade de modo épico. Naru (de narucizistu -> narcisista para nós não-nihongos).

Lin Koujo é silencioso, mal encarado (na verdade ele me lembra o Hatori Sohma, de Fruits Basket – pô, que chara desing mais reaproveitado!) e com funções inespecíficas. Bem ~le mistério~ mesmo, mas dá pra aceitar (e deve fazer o tipo de umas garotas por aí).

Houshou Takigawa é um monge budista que só está nessa vida por conta da exigência da família, tanto que deixou o exílo na montanha para ser músico em Tóquio. Ele é simplesmente adorável, foco de comédia, mas também um dos mais responsáveis depois do Naru, sempre está salvando a Mai e é atencioso com todos. Ele é tudo que o Naru devia ser pra justificar a paixão da Mai. Ainda acho que eles deviam ficar juntos (só porque ela tem 16 e ele 25 não pode, produção?).

Ayako Matsuzaki foi uma personagem bem inútil, o clichê de mulher reclamona de meia idade que na realidade nunca é útil. No fim das contas é responsável por um dos melhores momentos dos últimos episódios (embora a desculpa seja super furada).

John Brown tem uma participação bem mais aleatórea que os outros, mas tem seu (importante) espaço como exorcista. É muito fofo também! ^^’

Masako Hara é a médium. Chatinha, metida, e sempre com aquela postura frágil atrás das mangas de seu kimono. Simplesmente irritante, só vale pelas caras e bocas da Mai quando ela dá em cima do Naru descaradamente.

Ghost Hunt é absolutamente divertido, um ótimo passatempo. Mas não vá atrás dele se espera profundidade ou grandes histórias de terror, e sim um shoujo com direito a todos os pontos fortes e fracos do gênero. Ainda assim, recomendo!

Link para download aqui.

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9 pensamentos sobre “Ghost Hunt: Fórmula que Prende em um Animê nem Tão de Terror Assim.

    • É interessante. Como shoujo, não é muito descarado. Temos uma protagonista apaixonada (sem retorno) e aquele personagem para as menininhas apaixonarem, o Takigawa. Fora isso, o enfoque é de comédia, nada de melação/encheção de saco típica de shoujo.

      Se você não for muito radical, vale a pena sim!

      Obrigada!

  1. Ah…a Mai, me lembro dela perfeitamente. Odeio esse arquétipo de personagem que precisa ser salva a todo momento e mesmo que tente, não consegue ser auto-suficiente.

    Eu também vivia confundindo Ghost HUnt com Ghost Hound, mas hoje já consigo diferencia-los. Esse é um daqueles animes em que eu assisti quando eu não tinha critério algum huehuehuehuehue

    Mas é bom, ao menos, muito melhor que a adaptação de Tantei Yakumo. A novel é superior e por ser completa, tê dá uma visão melhor sobre a obra, mas isso não é surpresa. De qualquer forma, não dá pra levar a “sério” a maioria dos blockbusters de horror da demografia Shoujo, são sempre muito lights, claro, são títulos mais comerciais. Mas é como você disse, bom demais pra ver descompromissadamente, comendo uma pipoca ao lado do namorado, né mesmo senpai!? XD

    • Eu também. Ou se assuma inútil, ou consiga algo. O meio termo é ridículo.

      Eu não confundo os dois, só quando vou falar, acabo dizendo “Ghost Hount” para ambos.

      Tantei Yakumo foi profundamente broxante. E adaptações… Bem, nunca fica grandes coisas. E precisava de uns OVAs pra explicar melhor e encerrar a história do Naru.

      Descompromisso bem executado é o que há!

  2. Eu só não comentei nas outras postagens porque não tinha assistido aqueles animês =S
    E também não curti muito a arte de GH. Quer dizer, lembra aqueles desenhos antigos e mal animados. Mas, nada que prejudique a nossa experiência assistindo. Por sinal, ainda não conclui esse animê. Foi me recomendado por alguém de muito bom gosto, então, acabei baixando. E é um terror de mentirinha.

    • Faz parte!

      Muito mal animado, por sinal… E aqueles traços do lado do nariz :\

      Ah, eu considerei Ghost Hunt comédia, porque nisso ele é ótimo. Esquece esse lance de terror.

  3. Deu até vontade de assistir de novo ^^. Uma pena que não acompanhou o mangá, nele explica muitas coisas: os sonhos da Mai, a relação da Masako com o Naru, o nome tosco dele (Shibuya Kazuya rsrsrs) e outras coisas

  4. Eu estou amando esse anime, e a parte que eu mais tive medo foi a do labirinto, queria que eles mesmo tivessem colocado fogo ou tentado exorcizar, porque eu esperei muito dessa ”saga” mas infelizmente acabou meio em aberto… =/ Mas é ótimo, shippo a Mai com todos os garotos lá KKK

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