Detroit Metal City: O Quanto se Deve Levar a Sério os Ídolos do Metal

Detroit Metal City é um dos animês mais inusitados e inesperados que eu já assisti, uma comédia escrachada e crítica ao universo do Rock e do Death Metal. Seu enredo tem como protagonista Soichi Negishi, uma garoto de uma cidade rural do Japão que vai para Tóquio realizar seu sonho de se tornar um cantor de baladas J-Pop.

Por uma confusão de intenções, ele acaba sendo contratado para ser o vocalista/guitarrista de uma banda de Death Metal, e agora vai ter que lidar com fãs violentos, letras demoníacas, uma produtora louca e o possível desenvolvimento de um distúrbio de personalidade.

DMC é um caso muito curioso onde um roteiro WTF, uma animação porca e um traço horroroso deu certo. A série possui 10 volumes de mangá, 12 OVA’s e um live action (esse último, por sinal, com efeitos especiais bizonhos e uma atuação hilária de Keinichi Matsuyama, o L de Death Note).

Além das situações absurdas que te fazem dar muita risada, DMC traz em seu roteiro uma crítica ao cenário músical hoje em dia. Temos desde baladas de J-Pop com letras sem pé nem cabeça que só são valorizadas porque “fazem você se sentir em Paris”(?!), até as disputas violentas entre fãs de bandas hardcore, e o questionamento de quão reais são os personagens que encontramos por aí, fazendo seus shows de rock.

Certa vez eu li uma entrevista com o Alice Cooper e ele dizia que tudo que ele fazia no palco era performance, era pra ter algo que chocasse o público, mas saindo dali ele tirava a maquiagem e voltava a ser Vincent. Que num final de semana ele não queria colocar fogo nas coisas, queria passear com seus filhos em um parque como qualquer pessoa normal.

E DMC fala exatamente sobre isso, o limite entre os exageros do palco e as crenças e personalidades reais dos astros. Mas com uma história nonsense cheia de referênciais a personalidades do mundo rockeiro, como o nome do animê, que faz menção a uma música do Kiss, a maquiagem dos personagens, e citações a Ozzy Ousborn, Jimi Hendrix e Kurt Cobain; linguagem chula e fãs metaleiros retardados.

Quanto aos personagens, sem grandes spoilers porque essa história não tem nenhum mistério ou premissa além da descrita acima, eles são igualmente muito simples.

Negishi é um garoto meigo, delicado e que não sabe dizer não. Praticamente uma Yamato Nadeshiko versão masculina. Por isso não consegue se livrar do DMC quando eles ainda são pequenos, e quando estão famosos já é tarde demais. Não consegue se livrar da tirania da Presidente. Não consegue contar para ninguém que pudesse o ajudar. Não consegue emplacar como cantor pop. Não consegue mais voltar atrás com a sua subdivisão de personalidade, Krauser. Ele me dá dó.

Yuri Aikawa, o affair de Negishi e sua colega de colégio, é bonitinha, estilosa, tem o emprego dos sonhos e a vida que Negishi pediu a Deus. É bem lentinha pra não perceber o que rola com ele. Gostei dela no filme, no qual não só percebe o problema do rapaz como o apóia.

A banda… Bem, Nishida (ou Camus) é um otaku gordo bizarrícimo, que nunca ajuda em nada. Nem cérebro ele deve ter. O Wada (Jagi) até que é inteligente , e sabe gerenciar bem sua vida dentro e fora do palco, embora não ajude Negishi a fazê-lo. E a Presidente da Death Records é totalmente insana, boca suja, cruel, eu já disse que ela é insana?

Como fã de rock e metal, eu realmente amei DMC. Mas pessoas sensíveis e que levam as coisas ao pé da letra definitivamente não devem assistir, por possíveis choques ou revoltas descabidas. Vamos combinar que de metaleiro revoltado já chega os do Facebook, né?

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9 pensamentos sobre “Detroit Metal City: O Quanto se Deve Levar a Sério os Ídolos do Metal

  1. Eu não aguentei assistir DMC >//////<!
    Era palavrão demais e forte(?) demais, mais do que eu consigo aguentar ;;
    E o personagem principal me assustava mais do que a Presidente D: (?'

    • É, então vc se encaixa no “pessoas sensíveis” ali de cima.

      Ele era medonho como Krauser, mas só de lembrar o ridículo que ele era na verdade eu relaxava.

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