Paint it, White: O Filme de Hetalia

Hetalia é um animê polêmico com um fandom gigantesco (a polêmica é por causa do maldito fandom, mas disso eu falo mais tarde), e seja em Axis Powers ou em World Series tem milhões de personagens e situações, o que me faria ficar aqui uma semana inteira (porque um dia é o que eu já levo para fazer um post satisfatório normalmente) para destrinchar de forma completa a série.

Por tanto, resolvi falar de Hetalia usando como base Paint it, White, o filme da série que é bem abrangente e dá para ter uma noção de como o animê funciona.

Como provavelmente a maioria já sabe, Hetalia tem como personagens os países do mundo, cujas personalidades vão ao encontro das principais características dos povos que neles residem, ou pelo menos os clichês e exageros que são usados para descrever a população.

Paint it, White se passa em uma situação hipotética de invasão extraterrestre e alienação (com o perdão do duplo sentido) da humanidade. Agora Itália, Japão, Alemanha, “América”, Inglaterra, França, China e Rússia tem que se unir para salvar o mundo. O único problema é que eles são muito egocêntricos e não conseguem trabalhar em equipe, deixando tudo chegar num nível crítico, para no final serem salvos pela inocência do Itália.

Eu considero Hetalia um animê muito bom, me divirto com as referências históricas (que quase não existem no filme, mas constituem praticamente o animê inteiro) e críticas aos comportamentos das diferentes culturas. Mas não acho que Hetalia seja para qualquer um. Por que?

Primeiro: O Fandom. A abordagem do autor (sério mesmo que é um cara que faz isso pessoal? Sério mesmo? D:) para atrair atenção para a série é criando clima entre os personagens, fazendo milhões de fãgirls se dedicarem a criar pairings com os países (desculpa mundo se eu simplesmente não consigo ver a Alemanha em um romance com a Itália… Culturas diferentes, sabe como é). Tudo bem, ele conseguiu muita visibilidade, mas talvez a custa de espantar muitos fãs de história e pessoas a quem a série devia ser endereçada. Eu mesma demorei muitíssimo para pegar Hetalia, e olha que eu sou garota e adoro shounen-ai.

Em Hetalia é um exagero, assusta.

Segundo: O traço. Sério, se você quer algo elaborado ou minimamente bonito… Você não vai encontrar. O traço de Hetalia é simplório, e a animação não é nenhuma Brastemp. Não vejo isso como um problema, e entendo as razões de ser: O original é um yonkoma (quadrinhos de quatro células) publicado na internet e o animê é igualmente um ONA (Original Net Animation), com cinco minutos cada episódio. Vamos combinar que não é de se surpreender que não seja assim um Katana Gatari da vida, né?

É bem mais fácil achar belas artes de Hetalia no ZeroChan, mas aí tem que ter estômago pro fandom.

Terceiro: A proposta em si. Se você não entende história, nem tem interesse em entender, vai boiar lindamente e achar o animê a pior coisa já produzida pelo setor de entretenimento. Você vai dormir. A não ser que seja fujioshi, porque aí vai se divertir shippando e não ver problema.

Tá, já reclamei tudo o que tinha pra reclamar de Hetalia com o intuito de previní-los das ressalvas que eu tenho ao recomendar essa série. Agora vamos ao filme e porque ele é bom.

Os personagens que protagonizam o filme não são ninguém menos que os países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão) e os países Aliados (Inglaterra, França, Rússia, China e “América”) – Que são responsáveis pela maior parte dos acontecimentos no animê, apesar deste ter centenas de personagens secundários. Cada um é representado em sua maior parte do tempo pelos defeitos característicos dos países cujos nomes eles carregam e que são suas “casas”.

Itália é o mais próximo do que poderiamos chamar de personagem principal, já que a série leva o nome dele (mesmo que de forma pouco honrosa -> Hetare [inútil] + Itália = Hetalia). Mulherengo, preguiçoso, comilão, covarde e extremamente feliz. É assim que o Itália é. Sempre concentrado em comida, ou fazer suas famigeradas bandeiras brancas, não tem competência para lutar e sempre acaba pedindo ajuda para o Alemanha. É o herói do filme, já que com seu bom humor e rabiscos (referência a arte italiana?) ele salvou o mundo. Acredito que toda a moleza do personagem se deve ao fato da Itália ter abandonado o Eixo quando a guerra começou a pesar para eles.

O Alemanha… Bem, ele é sério, rígido, e sempre acaba carregando os outros nas costas. Se não fosse sempre sabotado pelo Itália, ele teria sido vencedor nas várias situações apresentadas na série. Eu o considero um personagem muito carismático, embora não goste nem um pouco do país na realidade.

O Japão tem um jeito calmo e controlado que faz com que ele seja tão inútil quanto o Itália, uma vez que nunca consegue tomar decisões e está sempre acatando as propostas dos outros. O Japão é um dos personagens mais afetados pela zombaria crítica da série, talvez pelo autor ter mais dados ou por não ter tantos escrúpulos quanto a esculachar o próprio país.

O Inglaterra é um péssimo cozinheiro, debochado com o “América”, sempre está discutindo com o França. E tem aquelas sobrancelhas…

O França se acha o cara, mas não passa de um perdedor que passa a maior parte do tempo discordando do Inglaterra. Mulherengo, bom cozinheiro e egocêntrico, só não é mais ignorado nas cúpulas do que o “América”. Este, por sua vez, é extremamente sem noção, quer mandar em todo mundo e propõe soluções ridículas para os problemas da humanidade. Suas manifestações sempre são desconsideradas, tem um amigo ET e uma boa indústria de entretenimento (?).

O China e o Rússia tem pouco destaque no filme, a não ser pela indiretas sobre as falsificações da China e suas Chinatown em todo o mundo e referências ao balé russo e vodka (sério, o lance da vodka é hilário, o Rússia fala pouco, mas metade do que ele fala é “vodka…”).

As referências e críticas a outros países também existem no filme, como se pode observar pela união de Cuba e Canadá (“fico feliz que finalmente possamos fazer algo pela humanidade.”), o café solúvel da Espanha (“mas você ainda pode ganhar essa linda camisa de brinde…”) ou a Zona de Neutralidade intransponível da Suiça.

A qualidade de Hetalia não se encontra nos roteiros, e sim nessas pequenas alfinetadas as posturas que as nações assumem, sem grandes lições de moral, apenas te divertindo enquanto questiona aquilo que nós já consideramos um traço cultural, mas que não é a melhor forma de se agir.

E o filme, além da típica comédia, tem também momentos de tensão e até uma cena de luta bem emocionante. Tudo no estilo non-sense de Hetalia, mas ainda assim, vale a pena.

Uma das cenas mais hilárias e WTF do filme

Se você não tiver problemas com nenhum dos itens que eu citei ali em cima e se interessou, recomendo que assista Hetalia. O filme tem só uma hora e os episódios, apesar de serem muitos, tem apenas cinco minutos. Vale a pena se divertir assim.

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5 pensamentos sobre “Paint it, White: O Filme de Hetalia

  1. Na boa? dobra a língua pra falar de Hetalia e do fandom,você não sabe BOSTA nenhuma.Conheci um monte de pessoas nesse fandom que passaram até a ver outras culturas com uma mente mais aberta e o lance dos shippers é a coisa mais normal que existe,incomodados que se mudem.

    • Vc interpretou mal meu texto, Karen.
      Eu tenho muitas amigas no fandom e reconheço que tem muita coisa boa e gente legal lá. Mas não pra quem não curte yaoi, tipo alguns garotos que gostam de história, mas não veem Hetalia pq acham q é yaoi e não curtem yaoi.
      Shipper é normal, ainda mais numa obra como essa, cheia de brechas para. Eu mesma shippo EspanhaxRomano, e aí?
      Só estava citando os motivos pelos quais algumas pessoas não querem ver Hetalia.

  2. Eu demorei anos a conseguir entrar para o “yaoi” de Hetalia. E agora não consigo deixar *shot*
    A fandom é … pronto… fandom. Tem de tudo. Existem pessoas que aceitam outras opiniões e existem fangirls que começam a ofender se as pessoas discordarem dos seus ships.
    Depois existem aquelas fangirls que não entendem que uma pessoa só escreve fics de determinado casal porque acha divertido. E com essas, apetece-me espancar-las.
    Como faço parte do fandom, pode ser suspeita a minha opinião mas… O clima entre as personagens , a meu ver, é apenas uma forma de divertir. (*aquela que se diverte com fics*)

    Hetalia tem duas vantagens fulcrais: 1) Um monte de personagens com personalidades vincadas e simples que, no caso de um ficwritter, pode pegar e usar facilmente. 2)Uma paródia á história mundial, ou seja, uma comédia que se baseia em estereotipos ( e eu, como já visitei metade da Europa, posso afirmar que é bem verdade) engraçados e ao mesmo tempo uma critica.

    Fanart > Desenho Original. O problema é que 90% dos fanarts são de casais. (O Himaruya chegou a fazer desenhos oficiais e ficaram lindos, mas não são usados nem no anime nem no “mangá”)

    Já ouvi críticas sobre Hetalia na medida em que não segue a História como ela realmente é. E quando vejo isso, da-me vontade de dar um grande LOL , porque contar a história mundial como ela aconteceu nem é de todo a intenção de Hetalia. A intenção é criticar e parodiar a estupidez humana.
    Quanto aos países asiaticos não faço ideia, mas os europeus… Tanto o suposto “sex appeal” do França como a má-disposição constante do Inglaterra e até mesmo a burrice do Espanha (ok, eu não gosto de Espanha – o país, não o personagem- e odeio espanhois porque… bem… Portugal é o Canadá da Peninsula Ibérica…) estão bem construidas.

    Uma coisa que adoro no fandom são os OC (bem feitos) *aquela que por vezes faz RP de Portugal*
    E tenho imensa pena de ainda não ter visto o Brasil e o Portugal cannon.

    • Da perspectiva de um ficwriter Hetalia é a melhor coisa que tem, só te dá o essêncial e aí…

      É paródia, não sei o que mais as pessoas esperavam ¬¬’

      Eu gosto do Espanha, e não conheço o país (embora os espanhóis sejam conhecidos por sua intolerância). Canadá da Peninsula foi ótimo XDD

      O Brasil nem apareceu DD:

  3. Eu super indico ler o mangá, vale bem mais a pena!
    E o post foi ótimo. Sou super fã do mangá (não, não vi o anime) e sou daquelas que tenho um amor pelo triângulo: Prússia x Hungria x Austria ( o que meio que tem a ver com a história desses países, enfim). Acho engraçado como ele trata algumas vezes no mangá a forma de criar laços entre países, como quando aconteceu com o França e o Inglaterra (FOI MUITO WTF!), mas acho que é isso que dá a graça pra história,a final, são paises personificados, como que funcionaria uma fusão ou um estreitamento de laços?

    Enfim, está de parabéns pelo post, muito bom!

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