Steins;Gate: Como tornar um Harém interessante

Harém com roteiro digno e sensibilidade, isso existe?

Pois é, acabei assistindo Steins;Gate. Porque “acabei” assistindo? Porque apesar de ter um roteiro interessante e estar sendo muito bem falado pelos blogs que eu acompanho, costumo pesquisar mais a fundo no que vou assistir antes de me arriscar. Gosto de coisas bem feitas, não de perder meu tempo.

Aí a pesquisa de imagens no Zerochan me sufocou de menininhas, e acabei descobrindo que SG vinha de uma Visual Novel. Apesar de EF – A Fairy Tale of The Two ter sido uma experiência maravilhosa, não dei tanta sorte com outras séries com essa origem. Desisti de Steins.

Mas acabei voltando, afinal, sua ausência deixou um buraco na minha programação de férias. Os primeiros três episódios foram insuportáveis a ponto de levar uma semana para eu conseguir terminar (dormia toda vez que começava). Mas meus seguidores no Twitter me deram força falando que melhorava e apartir do episódio 6 o negócio começou a funcionar.

Steins;Gate conta a história de um jovem apesar de eu estar até agora tentando me convencer que ele tem só 18 anos chamado Okabe Rintarou, que se considera um cientista maluco e vai a uma conferência sobre viagens no tempo com sua amiga de infância Mayuri. Por coincidência acaba encontrando Makise Kurisu esfaqueada num corredor do prédio onde acontece a conferência, e ao mandar uma mensagem de texto comentando sobre isso para seu amigo Daru acaba criando uma modificação na linha temporal que faz com que a garota nunca tivesse sido assassinada.

Eles acabam descobrindo que o responsável por esse acontecimento é o microondas do “laboratório secreto” de Okabe e interferência dele nos SMS – e apartir daí começa a aventura de Okabe e sua trupe para criar uma verdadeira máquina do tempo apartir de um microondas e um celular.

Steins;Gate é um harém, não tem jeito. É uma ficção científica previsível, também não tem jeito. Mas ainda assim consegue superar espectativas.

Começa naquele ritmo lento e cheio de linguagem específica tornando tudo maçante para quem não é iniciado no assunto. Mas passada essa fase, começa a história de verdade. Afinal, eles conseguem construir a máquina do tempo, e agora precisam ter certeza se ela funciona e como funciona. Uma coisa que SG não tem e nem se preocupa muito em ter é realismo. Afinal, como assim coincidentemente uma interferência eletromagnética cria uma máquina do tempo num quarto de aluguel de um cara de 18 anos sem ocupação (fosse estudos ou trabalho) aparente? Mas tudo bem, vamos lá.

Testar uma máquina do tempo é sempre algo arriscado, aliás, usar uma máquina do tempo é arriscadíssimo. Mas na empolgação Okabe faz várias pequenas modificações no passado, e Makise, embora relutante, não se move para impedir. Além desse risco, também existe a Organização (que originalmente era apenas uma fantasia de Okabe enquanto ele vestia o personagem de Hououin Kyouma, o Cientista Louco) SERN, que fará qualquer coisa para desenvolver e anúnciar a invenção da máquina do tempo antes deles.

Esses fatores se acumulam e se tornam uma imensa tragédia na vida de Okabe, que agora tem que correr atrás das consequências e concertar o próprio passado para que tudo fique bem.

A arte é um pouco fora daquele padrão visual novel que dá no saco, então eu consegui apreciá-la. A animação não fica atrás, e as cenas (inesperadas, importante ressaltar) de ação são extremamente rápidas e emocinantes, como deveriam ser. A trilha sonora é digna de um filme de suspense, e sabe a hora exata de nos emocionar.

A abertura (embora meu fansub não tenha traduzido a letra da música) tem uma animação muito legal, combina com a melodia, e consegue contar a história do animê sem dar spoilers para quem está começando a ver agora.

Bem, agora vem a parte cheia de Spoilers, a discussão sobre os personagens:

Quando os blogueiros falavam sobre as garotas estarem elegendo Okabe como “husbando” eles tinham um que de indignação e riso, fiquei pensando em quanto absurdo isso seria. E realmente, Hououin Kyouma e as viagens de Okabe como cientista maluco dão no saco, mas o próprio Okabe Rintarou é sim digno de admiração e desejo das garotas. Ele não é lindo, forte ou super inteligente como a maioria dos personagens admirados pelas fangirls, mas ele tem uma coisa que nós muheres apreciamos em um homem: Dedicação. Ele é persistente, preocupado, e faz o que pode e o que não deveria para proteger quem é importante para ele, e isso é digno de reconhecimento. Ele tem sentimentos bem definidos e está disposto a fazer qualquer coisa (por mais doloroso que seja) para salvar Mayuri, depois, para manter Makise viva. E isso raramente (para não dizer nunca) se vê em um protagonista de Harém.

Mayushii me dava nos nervos no começo, tenho uma raiva dessas personagens infantilizadas! Mas acabei por aceitar o jeito dela e a importância dela na vida de Okabe. Tanto que me desesperei juntamente com ele quando começa a Operação Ragnaröck para salvá-la.

Makise… Bem. Eu ODEIO tsunderes. Sério. Acho totalmente desnecessário o jeito dela agir. Mas a personalidade dela, sua inteligência, seu companheirismo, são notáveis. Acabei me apegando a ela também, e quando, por raciocínio lógico, descobri antes deles o que seria necessário para salvar a Mayushii, fiquei chateada. Tudo terminou bem, apesar de não fazer sentido algum.

Daru e Ruka foram muito mal explorados, na minha opinião, mas não havia muito tempo para eles.

Feyris… Bem, ela também foi muito secundária, mas a história dela com o pai dela, e a forma que ela abriu mão disso pela Mayushii me fez respeitá-la. Não sei se teria sido tão ética no lugar dela.

Suzuha e Moeka, embora tenham protagonizado a melhor cena do animê, foram muito previsíveis. Afinal, quem não tinha sacado o desespero da Suzuha quando ouviu os fogos ou achou que Okabe tinha sofrido uma lavagem cerebral? E Moeka e suas mensagens de texto constantes, enquanto os integrantes do laboratório lhe contavam os detalhes da máquina? Ainda assim, os finais das duas quando falharam me chocou bastante, e o confronto entre Okabe e Moeka foi bem inesperado para mim.

Fim da parte com Spoilers.

Bem, eu recomendo Steins;Gate. É uma história divertida, romântica e sensível – além das lindas garotas. O mistério existe, embora os mais atentos possam desvendá-lo sozinho, é daquele tipo cujas peças vão se encaixando até tudo fazer sentido no final. O fato de prever os acontecimentos sozinha me foi um pouco broxante, mas pensando bem, é mais divertido assim do que com uma história complexa e tão minimalista que você passa o animê inteiro boiando e só entende no final (como foi o caso de Boogiepop Phantom, por exemplo, que segue este mesmo estilo “quebra-cabeças”).

A variedade de emoções que SG desperta é seu ponto forte. São apenas 24 episódios, assistam!

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3 pensamentos sobre “Steins;Gate: Como tornar um Harém interessante

  1. Gostei do texto, apesar de eu ter gostado muito mais do SG desde o inicio do que você XD

    Só um detalhe, a forma que vc fala da SERN da a impressão de que a existência da organização é coisa da cabeça do Okabe, mas na verdade a SERN existe mesmo no mundo real e a imaginação dele era só de que ela é uma organização maligna.

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