Mawaru Penguindrum: Excepcional ou Bobagem Disfarçada?

Todo mundo sabe a história de Mawaru ou eu vou ter que explicar? Tá, eu explico.

Família com irmãos muito diferentes unidos pela irmã fofa + irmã fofa com doença terminal + faremos qualquer coisa para salvar nossa irmã + penguins engraçados + stalker maluca + reflexões pronfundas sobre a vida o universo e tudo mais e o destino = Mawaru Penguindrum.

Mawaru é hilário no começo, tocante no meio e previsível no final. Por isso a minha decepção. Quando tudo começa a se encaminhar para um desfecho, você já sabe o que vai acontecer.

A arte é bonita, colorida, mas falha em alguns pontos, não é constante (e a falta de constância não me parece proposital nem se encaixa na história). A trilha sonora, maravilhosa.

O que eu realmente não entendi foi o porque de tantos haters de Mawaru. É porque é colorido? Sinceramente, pensei que Madoka já tivesse ensinado onde nós chegamos com a aparência. Se irritaram com a Ringo? Meu Deus, acha graça nas cenas de stalker de Hetalia, Kuroshitsuji, Baka to Test… Aí quando Mawaru faz uma stalker “alívio cômico” se tornar importante e você vê a que ponto isso pode chegar, você se irrita? Ninguém sabe lidar com coisas sérias, confere, produção? Se não for fofo, bobo, engraçado e inocente 100% do tempo não tem vez?

Uma coisa que eu acho que está por trás dessas desculpas é o “incesto” presente na obra. Ninguém quer admitir que isso incomodou porque assiste KissxSis ou Host Club numa boa e curte, mas em Mawaru não tinha uma finalidade cômica ou ecchi. E novamente somos confrontados com uma realidade: Os espectadores não querem temas pesados. O final de Toradora já foi um drama fortíssimo para eles!

Quanto a esse “incesto” também me incomodou, ainda mais depois de exclarecidos alguns detalhes sobre o passado dos irmãos que pareceu uma desculpa. Mas aí eu me atentei para o verdadeiro significado da Senzou Senryaku (que fica bem claro no final). Quanto aos “eu te amo” pra cá e pra lá, isso é normal, não é? A gente costuma tem o péssimo hábito de amar nossa família.

Mawaru não tem incesto, a maldade está na nossa cabeça. Mas eu dou um desconto para quem pensou assim (para mim, inclusive), porque quem conhece Kunihiko Ikuhara (embora a culpa seja toda da Chiho Saito XD) já estava esperando um novo soco no estômago a lá Utena.

Agora que eu citei Utena, vamos lá, as temidíssimas comparações. Afinal, quem não achou a Masako um fanart da Juri? E o Shouma e o Miki??? E o Sanetoshi, no episódio nove, toda a sua atenção e gentileza (que foram se perdendo no desenvolvimento, mas mesmo assim)… Quem não se lembrou de Akio Ohtori? Os recados da Duplo-H no metrô e o teatro Kashira?Quem não viu esses detalhes, me desculpem, mas eu não consegui deixar de assiociar.

O que se fala sobre família em Mawaru é realmente questionador e digno de atenção e, depois de constatada a sabedoria das lições, digno de aplausos. Se engana quem pensa que Mawaru fala sobre a existência ou justiça do Destino (que me lembra a música dos enfrentamentos de Utena -q, Zettai Unmei Mokushiroku).

Mawaru fala de como famílias são unidas por amor. Mas como elas também podem ser fácilmente destruidas. Fala sobre rancor. Fala sobre tentar de novo. Fala de como uma família não se faz por laços de sangue. Não é porque você considera uma pessoa da sua família que ela também te considera assim. Não é porque é sua família que eles vão te amar e vice-versa. Não é porque uma pessoa é ruim com você que ela não seja boa para a família dela e vice-versa.

Família é um mito humano complexo e com muitos dogmas, Mawaru te acorda para algumas coisas que você às vezes nunca tinha parado (e nem pararia) para pensar. Isso pode incomodar, eventualmente, mas creio eu que só o fará com aqueles extremamente sensíveis e dependentes.

Bom, agora que eu já falei da história, dos haters, de Utena, da proposta… Vamos a parte complicada e cheia de Spoilers. Os personagens.

Mawaru perdeu pontos comigo no desenvolvimento do roteiro por trazer a filosofia questionadora de Ikuhara embrulhada numa história previsível e clichê. Eu sei a finalidade dessa simplicidade toda, afinal, se queremos passar uma mensagem para o maior numero de pessoas possível, não fazemos um EVA, né?  Mas eu sou chata pra caralho e não gostei dos personagens.

O Kamba, a Yuri e a Masako foram demasiadamente superficiais, previsíveis desde sua primeira aparição, e deixavam em minha boca aquele gosto amargo de “já vi isso em algum lugar” que deixam os personagens clichês. Foram feitos para serem misteriosos, terem uma reviravolta pessoal no meio da trama e se mostrarem “awesomes” no fim das contas.

A Himari, o Sanetoshi e a Momoka ficaram muito fragmentados, e sua personalidade mal estabelecida. Himari tremeluziu entre a menininha frágil e desprotegida (que a colocaria junto com os primeiros três na categoria clichê) e uma figura que sabe muito bem o que está acontecendo e planeja sozinha como impedir. Sanetoshi começa no estilo Ohtori – tão bonzinho, mas com algumas atitudes suspeitas que te deixam com o pressentimento que ele não é boa coisa – e acaba por chegar na vilanice típica (por mais que bem argumentada e com um fundo questionador): A destruição do mundo. Momoka é retratada como uma garota gentil e preocupada com a humanidade, mas quando está na forma de Princesa do Cristal (quem inventou esse nome, Zerochan???) é grossa e impiedosa. COMOASSIM? E ela não sabia demais sobre o Sanetoshi para uma criança, não? A relação deles ficou como um ponto solto para mim no animê.

O Shouma (que eu adorei e cuja morte me fez ter um ataque de “que fofo!!!”) e o Tabuki são aqueles personagens fofos que quando tomam uma atitude, ela acaba por ser demasiadamente radical.

Aí você me pergunta: Porra, Pandora, mas você não gosta de nada, não?! Pois é. Mas eu gostei da Ringo. Fazia tempo que eu não via um personagem se desenvolver tão bem.
Atente-se ao fato de que eu não a achei interessante no sentido dela me surpreender, mas sim por ela evoluir. Ela amadurecer com as situações e a vida nada fácil que ela teve, sem deixar de ser ela mesma, apenas melhorando aos poucos, como qualquer humano corajoso. Essa verossimilhança é o que me fez gostar dela.

Fim da parte com Spoilers.
Minha conclusão é: Assistam Mawaru, mas sem expectativas ou preconceitos. Veja o que é literal e o que é uma representação do que querem te mostrar, e os diferencie.  E se você viu Utena, definitivamente não vá esperando um enredo com o mesmo nível de desenvolvimento, mesmo porque a proposta é outra.
Observação 1: Encarem as cenas de nudez apartir da perspectiva que roupas são o que há de mais material/cultural em nós, não são necessárias da forma que usamos. Um corpo nu é uma alma.
Observação 2: Quando terminar, questione um pouquinho os ganhos e perdas que se tem quando só se tem a força do amor.
Atenciosamente, uma das crianças perdidas.
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2 pensamentos sobre “Mawaru Penguindrum: Excepcional ou Bobagem Disfarçada?

  1. Ótimo post Pss(vc poderia fazer uma review de alguma série de detetives (sem ser death note e detetive conan) pois adoro o genero de suspense com detetive e casos policiais mas só conheço esse 2.Se puder ajudar ficarei grato.VLW!

  2. Mawaru foi mais um daqueles títulos hypados demais, e muito questionados (ao menos por mim,que não via nada demais nele). Pelo que o povo falava eu esperava quebra de paradigmas, desconstruções,etc. Não vi muito disso. Não é um animê descartável,é daqueles que a gente guarda.Curti,sim,mas,sem exageros.

    P.S.: Estou com Utena guardado pra assistir. 🙂

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